Como a vida é feita de mudança, é tempo de inovar e partilhar ideias. Assim nasceu este blog!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Folar da Páscoa



Ingredientes:

800 g de farinha
100 g de margarina
35 g de fermento de padeiro
250 g de açúcar
3 ovos
2 dl de leite morno
sal, canela e erva-doce q.b.
3 ou 4 ovos cozidos para enfeitar o folar

Preparação:

Dissolva o fermento num pouco de leite morno e junte alguma farinha.
Faça uma bola bem húmida e deixe levedar 20 minutos.
Amasse a restante farinha com o açúcar, o leite e os ovos e junte a bola de fermento.
Bata bem.
Acrescente a manteiga, o sal e as especiarias.
Bata até a massa se soltar da tigela.
Deixe levedar numa tigela tapada com 1 manta, em local protegido e ameno, durante + ou - 3 horas.
Faça então uma bola ligeiramente achatada, onde coloca os ovos previamente cozidos e frios.Com um pouco de massa faça uns cordões que coloca a rodear os ovos.
Pincele com gema de ovo, deixe levedar mais 1 pouco e leve a forno quente (200ºC) até ficar bem corado e cozido.
Eu costumo fazer vários folares mais pequenos, só com um ovo cada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Meu Pai

 
 
Partiste,
Não estava à espera…
Pensei que ficavas
Sempre comigo
Partiste,
Sereno e em paz…
Deixaste a saudade
Do tempo vivido

Lembro o teu olhar,
Tão doce e meigo…
As palavras de Amor
Com que me brindavas
Lembro o teu afago
A tua mão na minha
O sabor do teu beijo
Que sempre me davas

Partiste,
Mas estás atento…
A tudo o que faço
A tudo o que digo
Partiste,
Mas sei que me esperas
Com a tua ternura
E um dia irei ter contigo

Partiste,
Mas estás a meu lado
Sempre a proteger-me
Meu PAI adorado!

Aida Teixeira Couto

Pai



O Pai Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Pablo Neruda, in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage
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sexta-feira, 16 de março de 2012

DESABAFO

Na fila do supermercado, o homem da caixa diz a uma senhora idosa:
– A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
– Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
– Esse é exactamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente!
– Você tem razão – responde a senhoraidosa – a nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava-as de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de as tornar a utilizar, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamosaté ao comércio, em vez de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de caminhar dois quarteirões.
Mas você tem razão. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Naquele tempo, as fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 2200 Wts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos uma televisão ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha um ecrã do tamanho de um lenço, não um ecrã do tamanho de um estádio; que depois será descartado, e como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo à mão porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para enviar pelo correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico com bolhas ou pellets de plástico que duram quinhentos anos para se degradarem. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário e natural, e não precisávamos de ir a um ginásio e usar máquinas para fazer de conta que caminhamos e que também funcionam a electricidade. Preferíamos caminhar na cidade ou no campo.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora envenenam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas (afiáveis), e agora deitamos fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina deixou de cortar.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro e os meninos iam de bicicleta ou a pé para a escola, em vez de usar a mãe ou o pai como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos apenas uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é engraçado que a actual geração fale tanto no meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?