Como a vida é feita de mudança, é tempo de inovar e partilhar ideias. Assim nasceu este blog!

domingo, 24 de abril de 2011

Arranjo de Páscoa


Quando tenho mais tempo, gosto de fazer coisas que me dão prazer, tais como arranjos para a mesa.
Este ano, para a mesa de Páscoa decidi fazer um arranjo muito simples.
Numa travessa de vidro, coloquei duas taças que se utilizavam para o champanhe viradas ao contrário, com flores de macieira dentro, a servirem de castiçal, dois ninhos com pintainhos e a célebre taça de amendoas. Depois, foi só enfeitar com hera do jardim e colocar as "velinhas"
Ficou muito simples mas....
.... bonitinho

Momentos de lazer


Neste fim de semana, dediquei-me a fazer algumas arrumações. Foi então que descobri uma bilha de barro guardada num canto à qual não dava uso.
Como o meu marido compra daquelas embalagens de vinho estilo "caixa" que são pouco estéticas, resolvi transformar a velha bilha num recipiente para colocar o saco do vinho.
Utilizei a técnica de "Découpage" e com cuidado fiz o orifício para a "torneirinha".
Julgo que ficou engraçado....
.... pelo menos, diferente!

sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa



"Páscoa é tempo de Amor,
de família e de Paz...
É tempo de agradecermos
discretamente
por tudo que temos
e por tudo que teremos.
Páscoa é um sentimento
nos nossos corações
de esperança e fé e confiança.
É dia de milagres;
é dia dos nossos sonhos parecerem
estar mais perto,
tempo de retrospecção
por tudo que tem sido
e uma antecipação de tudo que será.
E é hora de lembrar
com amor e apreciação
as pessoas em nossas vidas
que fazem diferença..."

Feliz Páscoa!!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Pai



Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Pablo Neruda, in "Crepusculário"

O meu sonho



Sentada junto à lareira
Leio um livro
De encantar…

Olho a chama da fogueira,
Aconchego-me na cadeira
E começo a dormitar…

Fecho os olhos de mansinho,
E as labaredas me cantam
Uma canção de embalar…

Eis que surge um passarinho
E me pergunta baixinho
Se quero com ele voar…

Digo que sim e… então
Num jeito atrapalhado
Lá vamos os dois pelo ar…

Como é bonito o céu
E lá em baixo a terra
Que paisagem de encantar…

Tudo tão verde e bonito,
Tanto adulto amigo
E crianças a brincar…

O mar azul e calminho,
As ondas na areia a bater
E tanto peixe a nadar…

Como tudo é calmo e belo,
Como reina a paz em todos,
Naquele País à beira-mar…

Como me sinto feliz,
Com tanta paz e alegria,
Que bom é estar a pairar…

Mas eis que o relógio toca,
Quais doze badaladas,
Como num conto de encantar…

Sinto o passarinho poisar
Na cadeira onde estou
E começar a chilrear…

Abro os olhos devagarinho,
a fogueira se apagou
e eu acabei de acordar!

Aida Teixeira


Dia da Terra

Nenhum homem é uma ILHA isolada;
cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA;
se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA;
a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO.
E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram;
eles dobram por TI !
 John Donne

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Qual a cor da liberdade?



Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
reinaram neste pais,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde  e vermelha.
Essas guerras de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por política demente.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?
E verde, verde e vermelha.
Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha….

Jorge de Sena

domingo, 17 de abril de 2011

A luz



No cimo do monte
Eu espero
Pela brisa que corre no ar
Respiro o ar puro
Do campo
E avisto ao longe o mar

Abro a alma
À natureza
E me entrego sem contemplação
Vislumbro
Ao longe um reflexo
De uma luz cheia de emoção

Uma luz brilhante
E fugidia
Como pássaro a saltitar
Um foco
De esperança e alegria
Que eu tanto quero agarrar

Será que fico
Ou vou
Até a luz alcançar?
Será que a luz
Não foge
E a consigo agarrar?
Tento, luto
Corro, salto,
Esbracejo até me cansar!
Chamo, grito,
Rodopio, voo alto
Até conseguir lá chegar!

Enfim,
Cheguei!
Que digo…. Que faço…
Para com o brilho da luz ficar?
Baixinho, pergunto:
Posso?
E sussurro….
Contigo eu quero brilhar!

Aida Teixeira

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Amizade



Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Do que Nada se Sabe


A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Verdes são os campos



Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

              Luís de Camões

Retrato de Amigo



Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo
meu irmão    minha amêndoa    meu amigo
meu tropel de ternura    minha casa
meu jardim de carência    minha asa.

Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu sigo
um caminho de nardos empestados
uma intensa e terrífica ternura
rodeado de cardos por muitíssimos lados.

Meu perfume de tudo    minha essência
meu lume    minha lava    meu labéu
como é possível não chegar ao cume
de tão lavado céu?

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

terça-feira, 5 de abril de 2011

Artista




Ser artista é representar
É enfrentar muita gente
Despido de quem se é
Em cada papel diferente

O artista nasceu para ser
Aquilo que queremos que seja
Transforma a sua vida
Na pessoa que quer que se veja

Ser artista é ser alguém
Que vende a sua imagem
E esconde os seus sentimentos
Em cada personagem

O artista sabe fingir
Controlar as emoções
Eu também sei ser artista
Quando escondo as desilusões…


                                                          Aida Teixeira


Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga, in 'Diário XII'

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Borboleta


Ser borboleta
É ser livre
Rodopiar no ar
Pular, saltar
Voar sem parar

Borboleta
Liberdade
Verdade
Libertação
Semelhança
Realidade
Comparação

Ter liberdade
É voar
Tão livre
Como a borboleta
É rodopiar
Pensar
Falar
Lutar
Escrever
Sem pensar na letra

Liberdade
Borboleta
Salta, solta
Grita, voa
Ri, poisa
Anda, chora
Letra, idade
Borboleta
Liberdade!


Aida Teixeira

A horta

Mais um método anti stress....
Ter uma pequena horta!



Vejam como estão a ficar lindas as alfaces, as couves e as nabiças... Ah! e pelo meio estão a rebentar umas abóboras....

Lua


Redonda e distante
Como sábia observadora
No alto do céu
É nossa admiradora

Branca e altaneira
Com o seu jeito e graça
Vai mudando sua forma
Conforme o tempo passa

De dia se esconde
Sempre muito recatada
Só à noite aparece
Toda iluminada

Nas suas diversas fases
Cada uma é diferente
Lua cheia, quarto minguante
Lua nova, quarto crescente

Em tempo idos
Foi digna de louvor
Por ela se guiavam
A grávida e o agricultor

Hoje já ninguém lhe liga
Com aquele velho fervor
Só nas noites de luar
Para quem descobre o amor!


Aida Teixeira

Amizade



Ser-se amigo é ser-se pai
( — Ou mais do que pai talvez...)
É pôr-se a boca onde cai
A nódoa que nos desfez.

É dar sem receber nada,
Consciente da prisão,
Onde os nossos passos vão
Em linha por nós traçada...

É saber que nos consome
A sede, e sentirmos bem
O Céu, por na Terra, alguém
Rir, cantar e não ter fome.

É aceitar a mentira
E achá-la formosa e humana
Só porque a gente respira
O ar de quem nos engana.

Pedro Homem de Mello, in "Miserere"

O meu jardim

Mais um passeio pelo jardim, à descoberta de novas plantas.




O meu cão...

Vou contar-vos uma história.
Tinha eu ai os meus 5, 6 anos quando certo dia no jardim que todos os dias frequentava para as minhas brincadeiras de criança, o meu vizinho, grande nome da pintura portuguesa - Júlio Pomar, passeava o seu cão de grande porte, um lindo "pastor alemão".
O cão, como se me conhecesse de longa data, decidiu cumprimentar-me com uma grande "lambidela" à qual eu não reagi muito bem e decidi fugir.
Certo é que o cãozinho pensou que eu estava a brincar e correu atrás de mim....
Só me lembro de ouvir a minha mãe e o Júlio Pomar a dizerem para eu parar, o que não fiz.... e foi então que o lindo "pastor alemão" me deitou ao chão e com grande alegria me "lambia" a cara, como que a dar pequenos beijinhos.
Eu não gostei mesmo nada e desde esse dia fiquei com medo de cães.
Até que, passados muitos e bons anos, a minha futura nora me ofereceu o "Mimoso", a quem eu chamo de "Leza", diminutivo de "Beleza". Perdi o medo, já lhe faço festinhas e brinco com ele, embora sem grandes intimidades, confesso.
Mas o certo é que sinto a sua companhia e adoro dar-lhe bolachinhas, que ele come com muito gosto....
Eis aqui o meu "Leza"


As minhas flores

Tal como já disse, este ano dediquei-me mais às flores.
Todos os dias vou vendo a sua evolução e permitam-me partilhar esses momentos com os meus amigos.
Eis aqui algumas....

 


domingo, 3 de abril de 2011

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Anti stress

Depois de um dia de trabalho, nada melhor para aliviar o stress do que fazer algo que descontraia a mente.
Costumo ler...
... mas há dias em que sinto necessidade de fazer algo de manual.
Desta vez dediquei-me a fazer picot em panos da loiça.
E ficaram lindos!

Aproxima-se o fim de semana

Depois de uma semana de trabalho, é tempo de dedicar um pouco de tempo ao jardim.
Este ano semeei algumas flores novas, que estão a crescer e me dão grande alegria.

Bom dia para todos os visitantes

Inicio este Blog cheia de vontade de partilhar ideias....
Espero conseguir!